21/01/2018, 22:10

Denise Cursino

Fundação lança campanha para o Hospital de Câncer de Catanduva

Público presente

Objetivo é arrecadar R$ 6 milhões para terminar o Serviço de Radioterapia

             Com a presença de prefeitos, presidentes de Câmaras Municipais, secretários/coordenadores de saúde, membros da Fundação Padre Albino, representantes de entidades, sindicatos e associações, clubes de serviço, imprensa local e regional, empresários e cidadãos conscientes de sua responsabilidade social, entre outros convidados, a Fundação Padre Albino lançou neste dia 25 de fevereiro, a partir das 20h30, no Schettini Eventos, a campanha do Hospital de Câncer de Catanduva (HCC).

Abrindo a solenidade foram exibidos os vídeos com depoimentos de pacientes e ex-pacientes, todos ressaltando as dificuldades de realizar o tratamento fora de Catanduva. Em seguida falou o Diretor de Captação de Recursos da Fundação, Prof. Nelson Lopes Martins.

Nelson Martins destacou os vários momentos da Fundação, lembrando a criação da Faculdade de Medicina, a administração do Hospital “Emílio Carlos”, a criação do Padre Albino Saúde, o processo de beatificação de Padre Albino, o gerenciamento do AME. “Tempos de ousadia, de superação, de confiança na comunidade local e regional e na ação protetora e sempre presente de Padre Albino”, apontou.

Com relação ao lançamento do Hospital de Câncer de Catanduva, Nelson disse que “o desafio nos enche de alegre responsabilidade, pois sabemos e temos certeza de que vamos vencê-lo, e que depois de vencido ele trará tamanho bem a nossa comunidade que viveremos, posteriormente, louvando e agradecendo a oportunidade que tivemos de participar desse embate histórico”. No entanto, ressaltou que a Fundação Padre Albino precisa de ajuda neste desafio. “Precisamos de pessoas verdadeiramente interessadas nesta causa, que nos ajudem a ampliar o engajamento nesta campanha para a captação e mobilização de recursos que nos possibilitem a concretização deste sonho”, disse.

Para Nelson, mobilizar recursos não significa apenas assegurar recursos novos, mas também conquistar novas parcerias. Citou que a filantropia nos Estados Unidos movimenta um trilhão de dólares por ano e gera 10% dos empregos no país, que 63% da população doam pelo menos 2% do que ganham, que 44% já fizeram algum trabalho voluntário e que aquele país está em segundo lugar no mundo em filantropia. “Em primeiro está o pequeno Myanmar”, completou. O Brasil, continuou, aparece em centésimo quinto lugar do mundo: 20% das pessoas doaram alguma coisa e 13% fizeram trabalho voluntário – dados de 2014.

“Temos que mudar este quadro. Esta realidade brasileira, tenho certeza, não se reflete aqui em nossa cidade e região, onde ninguém sofre sozinho. Temos um povo generoso que está sempre presente quando a causa é justa. E a causa do câncer que apresentamos é causa mais do que justa”, lembrou.

Nelson Martins conclamou a todos para que “venham ser partícipes de primeira hora na vanguarda desta ação que pertence, na verdade, a toda nossa comunidade local e regional e, principalmente, aos pacientes que poderão, brevemente, aqui em Catanduva, próximos de seus familiares e amigos, serem atendidos com presteza e eficiência”.

Por fim, ressaltando ser um grande desafio, disse que está confiante de que todos irão superá-lo e que isso “nos habilitará, em tempos futuros, de um patamar mais elevado, sonhar novos sonhos, enfrentar e vencer novos desafios, que com certeza virão. E queremos que seja assim. Ventos calmos não fazem um bom marinheiro! Contamos, portanto, com o apoio, incentivo, aval e participação de todos vocês”.

Em seguida os presentes assistiram ao vídeo oficial da campanha que está postado no site do Hospital do Câncer. Os personagens do vídeo foram pacientes ou estão em tratamento em Catanduva ou em Serviços de outras cidades.

A campanha e o aparelho

             A responsável pelo Setor de Captação de Recursos da Fundação, Angélica Rodrigues da Costa, explicou que a campanha de captação para o HCC se iniciava naquele dia e que as doações já podem ser realizadas com cartão de crédito, através do site www.abracehcc.com.br na opção DOE AGORA, através de depósito no Bradesco e no período de 21 de março a 19 de abril próximos poderão ser feitas por telefone, pelo 0500, com três opções – R$ 15,00, R$ 30,00 e R$ 50,00. Este serviço, de acordo com resolução da Anatel, fica disponível somente por 30 dias seguidos a cada um ano.

A campanha, disse também, com apoio da imprensa de Catanduva e região, será veiculada em emissoras de rádio, tevês, jornais, sites, cartazes e revistas, entre outras mídias. O telefone de contato para mais esclarecimentos é 17 – 3311-3365.

O público presente também foi informado sobre a doença. Danilo Gustavo Moreira, Gerente Regional de Vendas, e Vander José Berti Filho, da Varian Medical Systems Brasil Ltda., empresa da qual a Fundação Padre Albino deverá adquirir o acelerador linear para o Serviço de Radioterapia, participaram do lançamento da campanha.

O físico médico especialista em Radioterapia na Varian, Vander Berti, falou sobre o câncer e explicou as características da solução de radioterapia que será adquirida pelo Hospital de Câncer de Catanduva.

A Radioterapia e a campanha

O presidente da Diretoria Administrativa da Fundação, Dr. José Carlos Rodrigues Amarante, falou sobre o Serviço de Radioterapia e o lançamento da campanha de captação de recursos junto à sociedade para viabilizar o término da sua construção. Lembrou que a construção do prédio foi iniciada em maio de 2013, com recursos liberados pelo Governo do Estado, no valor de um milhão e meio de reais, fruto de emenda parlamentar do então deputado Geraldo Vinholi, complementada, depois, por mais três milhões e setecentos mil reais pelo próprio Estado, cuja última parcela só foi liberada recentemente.

Para aquisição do acelerador linear foi celebrado convênio com o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, no valor de um milhão e meio de reais, correspondentes a 900 mil dólares à época (2010) que, contudo, ficou defasado pela demora na liberação. Esse recurso só foi possível com a interveniência da deputada Beth Sahão, que fez gestões junto àquele Ministério para a liberação da verba. Em 2014 a Fundação conseguiu complementação de seiscentos mil reais, porém ainda insuficientes ante a explosão cambial e o atraso na liberação. Hoje, para aquisição do acelerador serão necessários pelo menos mais trezentos mil dólares.

Dr. Amarante esclareceu que a assessoria do deputado Dr. Sinval Malheiros informou que serão destinados dois milhões de reais em emendas parlamentares para o próximo ano. No entanto, essa verba, se concretizada, somente poderá ser utilizada na compra de equipamentos, ou seja, não poderá completar a verba do acelerador.

Para ele, os constantes atrasos nos repasses e a pressão inflacionária, aliados a outros elementos não previstos no projeto original, fizeram com que o volume de recursos destinado inicialmente não fosse suficiente. E foi enfático. “O que precisa ficar claro é que não construiremos um hospital especializado no tratamento de câncer. Estamos construindo um Serviço de Radioterapia que, junto com os demais serviços oferecidos à população – tratamento ambulatorial, imunologia, hormonioterapia, quimioterapia e cirurgia – fecha o ciclo de tratamento e compõe o Hospital de Câncer de Catanduva, cuja referência é o Hospital Emílio Carlos”. Com esses serviços prestados hoje à população de Catanduva – mesmo sem a Radioterapia – a Fundação Padre Albino já está credenciada pela Rede Hebe Camargo, programa ainda a ser implantado em todo o Estado de São Paulo que só aceita instituições que fazem o ciclo completo de tratamento oncológico.

“Os beneficiários diretos serão os pacientes e seus familiares, que precisam se deslocar para cidades como Barretos, São José do Rio Preto ou Jaú para tratamento radioterápico. Não raras vezes, os pacientes precisam acordar de madrugada, se deslocarem até essas cidades, receberem o tratamento e só retornarem às suas casas no final da tarde ou à noite. Ou seja, sob efeito do tratamento, torna-se cruel”, completou.

Dr. Amarante mencionou que levantamento realizado pela Fehosp – Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo de 1980 até hoje apontou queda vertiginosa da participação federal no orçamento da saúde, sobrecarregando Estados e Municípios – de 75% caiu para 40% aproximadamente e que haverá cortes, inclusive, nas emendas parlamentares da ordem de oito bilhões de reais.

Lembrou que como os valores da Tabela SUS não são reajustados há mais de 12 anos, a defasagem precisa ser coberta pelas próprias instituições filantrópicas, que por sua vez têm que recorrer à sociedade, na tentativa de cobrir um déficit crescente, hoje na casa dos vinte bilhões de reais. “Até o momento, a Fundação Padre Albino vem bancando com recursos próprios os déficits no seu departamento de saúde, mesmo com as contribuições conseguidas através do telemarketing e da nota fiscal paulista, de vital importância, porém absolutamente insuficientes para cobrir todas as necessidades. “Por todos esses motivos, a necessidade do lançamento dessa campanha para viabilizar, no menor tempo possível, o sonho do Hospital de Câncer de Catanduva”, considerou.

O Hospital de Câncer de Catanduva, cuja referência será o edifício da Radioterapia em construção, será uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON – cujo credenciamento foi publicado no Diário Oficial do Estado no dia 19 último) e estará estruturado para tratar, no mínimo, os cânceres mais prevalentes no país como mama, próstata, colo do útero, estômago, cólon e reto, entre outros.

Dr. Amarante informou que os hospitais da Fundação Padre Albino – Padre Albino e Emílio Carlos – atendem a 19 municípios da microrregião de Catanduva, com uma população de aproximadamente 300 mil pessoas e que o Serviço de Radioterapia será destinado aos pacientes do município de Catanduva e outros 18 municípios da região. Disse que hoje 70% da obra estão concluídos e com a sua retomada – havia sido paralisada em razão do atraso nos repasses do convênio – acredita poder concluí-la até meados deste ano.

Com o equipamento que será adquirido, o Serviço terá capacidade para tratar de 100 a 120 pacientes/dia, dependendo do estágio e complexidade da doença. “Quando iniciado o Serviço passaremos a atender todos os pacientes que hoje são encaminhados às cidades já mencionadas. O aumento será progressivo ao longo do tempo. Não teremos, por hora, nenhum público específico”, frisou.

Por fim, disse que essa campanha foi gestada durante as oficinas de captação de recursos aplicadas pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, no Hospital Emílio Carlos, no ano passado, sendo que as orientações e encorajamento do Prof. Marcelo Estraviz foram fundamentais para que ela acontecesse.

Agradeceu ao Dr. Wilson Pollara, Subsecretário de Estado da Saúde, que junto com a Fehosp proporcionou essa oportunidade às Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, sempre muito carentes de recursos financeiros e extremamente dependentes de recursos governamentais. “Aprendemos que sem o envolvimento de toda a sociedade dificilmente projetos que vão beneficiar ela própria conseguem sair do papel. Temos muita esperança em alcançar nossos objetivos ao longo do tempo”, disse.

De acordo com Dr. Amarante, a campanha lançada não terá mais fim. “Como todos os demais hospitais especializados em oncologia e que atendem usuários do SUS haverá necessidade de campanhas regulares e constantes de captação de recursos para fazer frente ao custeio sempre crescente do serviço oferecido à população. Portanto, o que fazemos hoje é apenas apertar o botão de lançamento. Daqui em diante a campanha já não pertence mais à Fundação Padre Albino, mas a toda comunidade, a todos nós que de uma maneira ou de outra seremos beneficiados por mais esse serviço”, alertou.

Dr. Amarante propôs que, além das doações através do serviço telefônico 0500, que será disponibilizado em breve, do telemarketing e do site da campanha na internet, a sociedade catanduvense e dos municípios que compõem a base de abrangência de atendimento do Hospital de Câncer de Catanduva (HCC) passem, a partir de agora, individualmente ou através das várias ONGS ou instituições do gênero, a direcionar suas campanhas arrecadatórias para o HCC, cuja realidade é iminente e beneficiará diretamente essa mesma população.

Finalizou conclamando os diferentes seguimentos da sociedade presentes “a se constituírem em fontes de apoio e respaldo para que a Fundação Padre Albino possa concluir e entregar mais esse importante projeto de interesse do bem comum”.

Números da doença

 

  • Anualmente, no mundo, mais de 12 milhões de pessoas são diagnosticadas com câncer, das quais oito milhões morrem.
  • No Brasil estima-se que surgirão mais de 590 mil novos casos da doença só em 2016.
  • Relatório do Tribunal de Contas da União (2010) aponta que de todas as pessoas com câncer no Brasil somente 34% conseguem fazer radioterapia no tempo necessário.  O tempo médio de espera é de aproximadamente 4 meses. Essa espera faz com que muitos pacientes comecem o tratamento com o tumor em estágio mais avançado e, portanto, com menor chance de cura.
  • Estudos recentes mostram que enquanto em alguns países os pacientes com câncer têm uma sobrevida de 12 a 16 anos no Brasil, em média, esse tempo cai para dois a quatro anos.

Fonte: Mauro Assi – Assessoria de imprensa – Fundação Padre Albino

Fotos: Divulgação

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