24/05/2018, 23:30

Denise Cursino

Presidente do Sincomercio Ivo Pinfildi Júnior faz balanço de 2017 e fala sobre expectativas de 2018

Ivo Pinfildi Jr

Fonte: Fernanda Albano – Efficace Comunicação

Foto: Divulgação

“2017 foi um bom ano, mas 2018 será melhor”

No início de mais um ano, depois de um 2017 de reação e melhora na economia nacional, o empresário Ivo Pinfildi Júnior, Presidente do Sincomércio Catanduva e Diretor efetivo da Federação do comércio do Estado de São Paulo – FecomercioSP, faz um balanço do ano que se encerrou e fala sobre as prósperas expectativas de 2018, o novo ano que se inicia.

 

  • 2017 foi um ano de muita expectativa tanto para economia, quanto para as entidades, tendo em vista os percalços enfrentados em 2016. Como você avalia de uma maneira geral o ano de 2017?

R: Começamos 2017 com a sombra de 2016, que foi um ano muito ruim em todos os seguimentos, na economia em geral. Mas 2017 nos surpreendeu. A cada mês sentimos uma reação, pequena, mas uma reação no desenvolvimento econômico como um todo. Nesse ano que se encerrou, vimos que a economia parou de cair, o que acabou dando um folego para os diversos setores possibilitando um crescimento gradativo que ocorreu paulatinamente durante os 12 meses do ano. Tivemos o episódio do pedido de impeachment do Presidente Michel Temer, mais uma série de denúncias, o que gerou certa insegurança e retração, uma vez que quem investe no país, seja estrangeiro ou brasileiro, precisa sentir segurança na economia. Esses fatores somados a outros acontecimentos políticos de 2017 fizeram com que o Brasil não tivesse um maior desenvolvimento conforme o esperado.
Em Catanduva, quando falamos de maneira geral, gosto de frisar que estamos analisando a média dos resultados obtidos de todos os setores, uma vez que um seguimento pode não ter tido os resultados esperados, entretanto outro pode ter superado as expectativas previstas. Por isso, quando falamos em linhas gerais é sempre com base na média dos resultados.

Assim, podemos dizer que 2017 foi um ano de reação, um ano melhor.

 

  • Em novembro de 2017 entrou em vigor a Reforma Trabalhista. Essas alterações têm impacto na rotina do Sincomercio e até mesmo nas tratativas das Convenções Coletivas de Trabalho (CCT)?

R: Sem dúvida nenhuma, tem muito impacto. A Reforma Trabalhista que estava sendo aguardada há muitos anos, algo que o Brasil precisava com urgência, vem para dar segurança jurídica para empregador e empregado. Antes da Reforma, existiam várias formas de contratações que agora são regidas por lei e que antes não eram. Isso gerava uma série de ações trabalhistas onde a Justiça do Trabalho sempre dava ganho de causa ao empregado, por não haver a regulamentação na lei. Agora, com a Reforma, essas novas formas de contratações foram legalizadas beneficiando ambos os lados, dando maior liberdade para as empresas, podendo gerar um aumento no número de contratações, gerando mais empregos e consequentemente impulsionando a economia dos municípios.
Entre Artigos, Parágrafos e Alíneas foram alterados mais de 300 pontos da CLT, trazendo benefícios e maior segurança jurídica.

 

  • Ainda falando sobre a Reforma Trabalhista, a contribuição sindical deixou de ser obrigatória e passou a ser facultativa. Isso impacta os Sindicatos?

R: Sim, sem dúvida. Ocorreram muitas manifestações contrárias a Reforma Trabalhista, principalmente por parte das Centrais Sindicais que viviam da contribuição sindical obrigatória, que passou a ser facultativa.

Essas entidades trabalharam com empenho para que não houvesse reforma, mesmo sendo ela uma realidade necessária.
Essa mudança faz com que cada sindicato mostre a que veio, para que existe e para que seja autossustentável prestando serviços e trazendo benefícios para sua categoria

Temos quase 17 mil sindicatos no país e podemos dizer que a grande maioria desses sindicatos sentiram no ‘bolso’ e agora estão tendo que se reinventar para conseguir sobreviver.

 

  • Diante deste cenário, o Sincomercio já vinha tendo ações empreendedoras, prevendo essa queda de receita?

R:  O Sincomercio e o Sincomerciários, são sindicatos fortes que atuam e não dependem única e exclusivamente da contribuição sindical e tem outras formas de prestar serviços, o que gera arrecadação.

O Sincomercio vem se preparando há anos para essa situação, isso já era pensado desde quando compramos o terreno, onde construímos a nova sede, fazendo com que a sede antiga virasse receita, por meio de alugueis. Também investimos em uma Sala da Eventos com capacidade para 100 pessoas sentadas, com ar condicionado, telão, microfone e toda infraestrutura, que é destinada para locação de eventos e encontros. Temos uma Sala de Reuniões, que acomoda 15 pessoas também para locação e estamos finalizando o Salão de Eventos, um espaço destinado para 400 pessoas sentadas, com cozinha preparada para Buffet, banheiro independente masculino e feminino, climatização e todo aparato de multimídia, que devemos finalizar logo nos primeiros meses de 2018 e será destinada para locação de todo tipo de evento.
E além dos alugueis de espaços, temos os serviços de Planos de Saúde, SCPC e tantos outros, que nos garante autonomia e independência financeira.

Importante frisar que o Sincomercio tem também um número expressivo de associados e o apoio da sua categoria e não parou no tempo caminhando ao encontro da modernização.

 

  • Entrando nessa questão as pessoas não conhecem a diferença do Sindicato Laboral (Sincomerciários) e do Patronal (Sincomercio). De forma simplificada quais são as competências de cada um?

R: Ótima pergunta. A grande maioria desconhece essa diferença. O Sindicato Laboral representa a categoria dos empregados, já o Patronal representa os empregadores, o Empresário. Cabe a ambos defender os interesses de suas respectivas categorias. Tanto o Empresário depende do empregado como o empregado é dependente da empresa. Assim o Sincomercio e o Sincomerciários conduzem com muito respeito os entendimentos pertinentes as suas categorias durante as negociações para firmar as CCTs (Convenções Coletivas de Trabalho) um documento que regulamenta direitos e deveres de empregado e empregador. Por exemplo, reajuste dos salários, valores das horas extras, banco de horas, feriados em que o comércio poderá abrir, e muitos outros. São cerca de 50 clausulas definidas nas CCTs que regem essa relação, a cada ano.

 

  • Enquanto entidade sindical com posicionamento independente o Sincomercio tem que lidar com questões políticas? O imbróglio envolvendo o PL 14/17 foi uma questão política?

R: A política é inerente as relações pessoais e profissionais.

O Poder Público precisa trabalhar ouvindo os diversos setores representativos da cidade, unindo esforços para o seu desenvolvimento. Quando isso não acontece, geralmente cria-se um clima de descontentamento das partes que não foram ouvidas. Foi o que sentimos na aprovação do PL sobre isenções. O interesse maior, será sempre o desenvolvimento da nossa cidade, por isso devemos preservar a união e o bom entendimento entre as instituições e as entidades.

  • Como é a relação do Sincomercio com a Câmara e com a Prefeitura?

R: A relação do Sincomercio é institucional, assim tem que ser. Eu, Ivo Pinfildi sou um cidadão comum e como cidadão tenho minhas convicções e posicionamento, mas tenho muita preocupação, pois as pessoas não conseguem separar o Ivo pessoa física, do Ivo presidente do Sincomercio. Nas relações institucionais eu realmente tenho que preservar o bom entendimento com as autoridades e suas instituições em benefício da categoria e do bem coletivo. Acima da minha opinião pessoal eu tenho que fazer valer a opinião da categoria do Comércio Varejista. Tenho um relacionamento amistoso com ambos os poderes.

 

  • Quais as expectativas para 2018?

R: As expectativas são boas. Temos que aprender com os erros do passado, afinal a idade não serve apenas para nos dar cabelos brancos, mas também experiência e maturidade. Temos que aprender sempre.

O comércio, embora estejamos sentindo melhora é importante ressaltar que o comerciante continue administrando seu empreendimento com equilíbrio e bom senso. Ele deve saber quando economizar, quando é a hora de crescer ou quando precisar demitir, afinal o comércio não é fácil. Por isso é fundamental dar o passo conforme o tamanho da perna.

Tenho certeza que 2018 será um ano de crescimento, com mais vendas e geração de empregos e chegaremos ao seu final, sem dúvida, melhor do que estamos hoje.

Ivo Pinfildi Jr

 

 

Comentários